POR CLINT RAINEY

Ao longo de eras, o brilho planetário do planeta Terra nunca se comparou a nenhuma das 53 luas de Júpiter, ou aos espetaculares anéis de Saturno. Mas pesquisadores da Universidade de Utah prevêem que isso pode mudar. “A Terra está em processo de obter os seus próprios anéis”, disse um dos pesquisadores, Jake Abbott, ao jornal Salt Lake Tribune. Não obstante, enquanto outros planetas são basicamente rocha, poeira e gelo, nossos anéis serão adequados ao planeta cujas formas de vida estão poluindo seu próprio céu: “Eles serão feitos de lixo”.

Os pesquisadores revelam algo ainda mais perturbador: esses anéis seriam feitos intencionalmente para abrir caminho no céu. Hoje, o céu noturno não parece poluído, mas essa realidade está ameaçada pela corrida espacial dos bilionários. Jeff Bezos quer enviar mais 3.200 satélites para a órbita, enquanto o projeto de desenvolvimento de constelações de satélites Starlink, de Elon Musk, já colocou 2 mil e tem planos de lançar outros 40 mil nas próximas décadas. Isso representa 15 vezes o número de satélites que temos hoje no céu, isto é, na órbita terrestre baixa.

Com efeito, a poluição espacial continua aumentando. Mais satélites em órbita significam mais peças e projetos espaciais abandonados gravitando. De acordo com a Agência Espacial Europeia, há 170 milhões de fragmentos espaciais circundando o planeta, e alguns chegam a velocidades de até 29 mil quilômetros por hora. No mês de novembro, a Rússia explodiu um satélite quebrado de aproximadamente 2 mil quilogramas, criando uma nuvem de fragmentos tão grande que os astronautas da Estação Espacial Internacional quase evacuaram a nave (Eles acabaram utilizando os abrigos). A estação também teve que desviar três vezes, em 2020, para evitar os escombros. 

As tentativas de retirar o lixo espacial caminham lentamente. A Agência Espacial Europeia alega ter investido US $102 milhões para recuperar um pedaço de lixo espacial de 112 quilos. A boa notícia — se é que um anel de lixo espacial ao redor da Terra é uma boa notícia — é que os pesquisadores da Universidade de Utah acreditam na previsão de que a Terra poderá ter seus próprios anéis, porque também encontraram uma maneira de criá-los. Eles argumentam que seu plano pode tornar o espaço sideral menos perigoso. A equipe de engenheiros de robótica afirma ter desenvolvido um campo magnético que pode mover objetos no espaço, mesmo os não magnéticos. Em um experimento descrito em seu artigo na revista científica Nature, a equipe explica como foi capaz de mover uma bola de cobre através da água girando ímãs em uma velocidade tão rápida que criou uma corrente elétrica. Os ímãs não apenas guiavam a direção da bola, mas também podiam girá-la. Eles sugerem que robôs poderiam ser lançados no espaço para usar o mesmo método, reorganizando a poluição espacial da Terra em linhas agradáveis ​​e limpas como os anéis de Saturno.

SOBRE O AUTOR

Clint Rainey é jornalista freelancer colaborador da Fast Company.