POR CONNIE LIN

Os mais altos cargos também fazem parte do novo movimento apelidado de “Grande Renúncia” — uma tendência contínua de funcionários deixando voluntariamente seus empregos, principalmente nos Estados Unidos –, de acordo com um novo estudo da empresa de recrutamento de executivos Heidrick & Struggles.

O estudo mostra que a rotatividade de CEOs aumentou no primeiro semestre deste ano. As 1.095 empresas de diferentes regiões, incluindo os EUA, China e Europa, que foram objeto de estudo, nomearam 103 CEOs — o que significa, é claro, que 103 CEOs deixaram seus cargos (voluntariamente ou não, a pesquisa especificou este dado). Enquanto no segundo semestre de 2020, o número era de apenas 49 novos executivos contratados.

Mas por que as coisas mudaram? O vice-presidente da Heidrick & Struggles, Jeff Sanders, disse à Reuters que isso se deve a uma série de fatores. A maioria das empresas manteve seus CEOs no ano passado enquanto encaravam a imprevisibilidade da pandemia do Covid-19, disse ele, mas quando tudo começou a se estabilizar com a ajuda da vacina, elas se sentiram estáveis ​​o suficiente para buscar novos líderes.

Isso se soma ao fato de CEOs não estarem imunes ao desgaste que o Covid causou. Se comunicar virtualmente durante a pandemia foi “exaustivo”, disse Sanders à Reuters. E o fato de muitos deles terem que tomar decisões difíceis que redefiniram completamente a estratégia da empresa, ou deixaram milhares de trabalhadores desempregados em plena profunda recessão econômica, provavelmente também não ajudou.

Mas, apesar das recentes ondas progressistas, essa grande rotatividade não resultou em aumento significativo na diversidade, segundo aponta o estudo. De acordo com os dados, de todos CEOs da Fortune 100, apenas 3% são negros, 4% são hispânicos ou latinos e 4% são asiáticos, uma representatividade muito baixa quando comparada à população dos EUA. Além disso, o número de contratações de pessoas de fora das empresas também se mostra baixo; quase dois terços dos novos CEOs eram candidatos internos. No entanto, o percentual de mulheres em cargos altos subiu de 6% para 13% no mesmo período do ano passado.

Embora esses números indiquem que CEOs também fazem parte da tendência da Grande Renúncia, o que vemos sugere que o enorme número de trabalhadores que pediram demissão nos últimos meses pode não simpatizar com esses executivos. Na verdade, a onda de greves em fábricas, como na Kellogg’s e na John Deere, sugere que muitos deles podem estar lutando contra políticas empresariais elaboradas por esses mesmos CEOs.

SOBRE A AUTORA

Connie Lin é jornalista freelancer e colaboradora da Fast Company.